Feijão resistente ao mosaico dourado

Cultivares garantem aumento de produção de 20% em relação às lavouras convencionais afetadas pela doença

A liberação dos transgênicos no Brasil é relativamente recente e já é maioria no plantio de soja e milho. No entanto, o assunto “transgênicos” ainda é polêmico. Recentemente, o uso de feijão transgênico foi liberado no Brasil, permitindo que empresas do ramo possam investir em novas tecnologias destinadas à cultura. Para combater um dos graves problemas do feijão, a Embrapa Arroz e Feijão tem desenvolvido cultivares resistentes ao mosaico dourado, doença que pode afetar até 20% da produção. Diferentemente das culturas da soja e do milho, a tecnologia utilizada foi de interferência de RNA e a garantia de resistência é de praticamente 100%.

Segundo Josias Corrêa de Faria, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, é difícil avaliar os impactos das modificações genéticas na soja e no milho em relação às do feijão, dada as diferentes características dessas culturas.

— Soja e milho são commodities e, portanto, têm um comportamento totalmente diferenciado. Por isso, espera-se que esse feijão venha a ser um sucesso no controle do mosaico dourado — diz o pesquisador.

No feijão, Faria afirma que o sistema de transgenia utilizado foi diferente do aplicado em outras plantas. Isso porque, para desenvolver a resistência, não foi expressada uma nova proteína na planta, mas sim a tecnologia de interferência de RNA.

— Ao desenvolver a tecnologia, a primeira etapa foi testar o feijão em casa de vegetação. Nesse contexto, foi feito um teste colocando-se um alto número de moscas brancas, de 300 a 1000 por planta. Essas plantas não apresentaram o mosaico dourado, enquanto que quase 100% das testemunhas sim. Portanto, frente ao mosaico dourado, podemos dizer com segurança que esse feijão é resistente — garante.

O mosaico dourado é transmitido por mosca branca, que adquire e transporta o vírus. Além de vetora, ela é também uma praga do feijão. Portanto, de acordo com o entrevistado, não é necessário realizar aplicações contra a praga vetora do vírus, mas, caso haja alta incidência de mosca branca, pode ser que seja necessário controlá-la, mesmo com o número de aplicações reduzido.

— Já em relação à produtividade, a planta é tão produtiva quanto à outra, já que a mudança serve apenas para proteger contra o mosaico dourado. No entanto, se a incidência da doença ocorrer até os 35 dias do plantio, a perda pode ser total. Portanto, a proteção salvaria completamente a lavoura — conta.

Faria acrescenta ainda que a perda causada pela doença pode chegar a 20% da lavoura. Considerando esse fato, o feijão transgênico garante então um aumento de produção de 20% em relação às lavouras não resistentes e afetadas pela doença.

— Esse material tende a ser destinado a três regiões onde o mosaico dourado é mais importante: Regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste. A previsão é de que em 2012 e 2013 sejam feitos os ensaios. Em 2014, o material será registrado e a quantidade de sementes disponíveis para serem comercializadas aumentada. Portanto, a colheita da primeira safra pode, provavelmente, acontecer em 2015 — diz Faria.

Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Arroz e Feijão através do número (62) 3533-2110.

Fonte: Portal Dia de Campo

Para ANBio, com feijão transgênico, Brasil passa a exportar tecnologia

País tem uma das leis de biossegurança mais rigorosas do mundo. Foto: Divulgação

O primeiro feijão transgênico totalmente desenvolvido no Brasil é o primeiro passo para a independência tecnológica do Brasil e mostra que o País poderá ser um grande exportador de tecnologia de sementes geneticamente modificadas para o mundo em um futuro próximo, de acordo com a Associação Nacional de Biossegurança (ANBio).

“Em um momento de crise alimentar, quando o mundo tem cada vez mais necessidade na produção de alimentos, sementes mais seguras e eficientes são a melhor alternativa para garantir a boa produção das lavouras”, afirma a pesquisadora Leila Oda, presidente da ANBio. “Além do potencial para prover alimentos para a população do planeta, o Brasil tem agora chance se consolidar como um dos principais exportadores de tecnologia na agricultura do mundo”.

A semente do feijão resistente ao vírus do mosaico dourado (transmitido pela mosca branca) foi desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e deve ser aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) nas próximas semanas. “Se confirmada, a aprovação será um grande alívio para os produtores, pois o vírus do feijão traz perdas de até 85% às lavouras, o que seria equivalente a deixar de alimentar de 9 milhões a 18 milhões de pessoas”.

Alimento seguro

De acordo com Oda – que já foi presidente da CTNBio –, o feijão transgênico da Embrapa é seguro para consumo humano e em nada difere do feijão tradicional, presente no prato dos brasileiros. “Todos os organismos GM produzidos no país são confiáveis, pois são analisados caso a caso antes da liberação, seguindo a Lei de Biossegurança brasileira, que é considerada referência e uma das mais rigorosas do mundo”.

O Brasil é o maior produtor de feijão do mundo. Ele é um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, e a principal fonte de proteína vegetal, ferro e inúmeras vitaminas, principalmente para as classes menos favorecidas. “Pesquisas que levem ao aumento da produtividade desse grão devem não só ser apoiadas, como serem motivo de orgulho para o Brasil”.

OGM nacionais são destaque em Congresso Nacional de Biossegurança

Os transgênicos nacionais serão um dos destaques do Congresso Nacional de Biossegurança da ANBio, que acontece de 19 a 23 de setembro, em Joinville. O evento da principal entidade que avalia o setor debaterá esse e outros assuntos de relevância para a sociedade. Além de OGM, serão temas de palestras a biologia sintética, biossegurança hospitalar, avaliações de risco, vacinas, entre outros.

Fonte: ANBio

Dia de campo na tv apresenta feijão transgênico

Foto: Francisco Aragão

O tema principal do Dia de Campo na TV desta semana é o Feijão transgênico resistente ao vírus do mosaico dourado. O programa vai ao ar dia 26 de agosto pelo Canal Rural (Net/Sky) a partir das 9h30. E no domingo, 28, às 8h, pela NBR (TV do Governo Federal, captada por cabo ou por parabólica), com reprise na quarta-feira, às 9h10, e na sexta, às 16h.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Arroz e Feijão desenvolveram variedades transgênicas de feijão resistentes ao vírus do mosaico dourado, considerado o pior inimigo dessa cultura no Brasil e na América do Sul. As variedades aguardam pela aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e, se aprovadas, podem chegar ao mercado em 2014.

No Brasil, essa doença está presente em todas as regiões produtoras e, ao atingir a plantação ainda na fase inicial, pode causar perdas de até 100% na produção.

As variedades transgênicas de feijão, batizadas de Embrapa 5.1, garantem vantagens econômicas e ambientais, com a diminuição das perdas, garantia das colheitas e redução da aplicação de produtos químicos no ambiente. Além disso, carregam um predicado inédito: são as primeiras plantas transgênicas totalmente produzidas por instituições públicas de pesquisa no Brasil.

Para chegar às variedades geneticamente modificadas (GM), os pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Aragão e da Embrapa Arroz e Feijão Josias Faria modificaram geneticamente a planta para que ela produzisse pequenos fragmentos de RNA responsáveis pela ativação de seu mecanismo de defesa contra o vírus mosaico dourado.

Desde 2006, os pesquisadores da Embrapa repetem pesquisas de campo com o feijão transgênico em Sete Lagoas (MG), Londrina (PR) e Santo Antônio de Goiás (GO), regiões de alta produção no país. Em todos os casos, os grãos foram infectados naturalmente pelo mosaico dourado. Os transgênicos, diz Aragão, não apresentaram sintomas da doença. Os convencionais tiveram de 80% a 90% das plantas afetadas.

Além de testar a eficiência das variedades transgênicas, essas análises avaliaram a biossegurança para comprovar a sua inocuidade ao ambiente e à saúde humana, em parceria com a Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Agrobiologia e a Unesp.

No Brasil o feijão é uma cultura de extrema importância social, já que é produzido basicamente por pequenos produtores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares.

A produção mundial de feijão é superior a 12 milhões de toneladas. O Brasil ocupa o segundo lugar, mas sua produção ainda não é suficiente para suprir a demanda interna.

O Dia de Campo na TV sobre Feijão transgênico resistente ao vírus do mosaico dourado é uma produção da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília – DF) e Embrapa Informação Tecnológica (Brasília – DF), unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Como sintonizar o programa:

Canal Rural (Net / Sky/ Parabólica) – sexta-feira a partir das 9h30.

NBR (TV do Governo Federal, Saiba como acessar) – domingo às 8h, com reprise quarta-feira, às 9h10 e sexta-feira, às 16h.

Outras emissoras que transmitem o programa:

TV Educativa de São Carlos/SP (canal 48) – quinta-feira, às 18h.

TV Sete Lagoas /MG (canal 13) – quinta-feira, às 20h e sábado, às 11h.

TV Itararé Campina Grande/PB – sábado, às 8h.

TV Agromix, www.agromix.tv , diariamente.

Para aqueles que não puderem assistir ao programa, a Embrapa Informação Tecnológica comercializa cópias em DVD que podem ser adquiridas por telefone (61) 3448-4236 / 3340-9999 ou pela Livraria Embrapa – http://www.embrapa.br/liv . No site http://www.embrapa.br/diacampo  você acessa a grade completa da programação, além de reportagens dos programas.

Fonte: Embrapa Arroz e Feijão

Produtores de feijão começam a investir em novas culturas

Projeções da Conab para a safra 2010/2011 é de redução das áreas de produção

A área com produção de feijão deve diminuir em algumas regiões do Brasil, como é o caso do Estado de São Paulo. É o que mostram as projeções da Conab para a safra 2010/2011 divulgadas nesta semana. Muitos produtores preferiram plantar produtos como o milho e soja, porque o preço está melhor. No feijão, a boa produtividade deve compensar a menor área e garantir uma colheita maior.

Plantar feijão é uma tradição de pai pra filho em Sarapuí, São Paulo. Porém a tradição está quase ameaçada. Os produtores rurais Joaquim e José Eduardo Almeida começaram nesta semana o plantio de mais uma safra. A máquina vai fazer este trabalho em 30 hectares, metade da área que eles plantaram no ano passado.

– Devido a custo, mão de obra, preço que não colabora, nós temos que diminuir ano a ano – relata José Eduardo.

Joaquim espera compensar na produtividade, para ele o ideal é 50 sacas por hectare, ou o dobro quando se fala em alqueires, o que daria mais ou menos 1500 quilos. No Brasil, a média hoje é de 960 quilos. Outra esperança dele é que o preço se mantenha bom. Hoje está em torno de R$ 100 a saca.

– O feijão, se desse R$ 130 e produzisse 100 sacas por alqueire, não seria ruim – diz.

Os agricultores fazem duas safras de feijão no ano. A da seca que começa em fevereiro e vai até maio e a das águas, de agosto até novembro. Eles não fazem a terceira safra, como em muitas outras regiões do Brasil porque o clima não favorece. Mas a situação deles, de redução de área, reflete bem a de muitos outros produtores.

Enquanto a área de plantio com feijão cresceu no país na safra 2010/2011, no Estado de São Paulo, por exemplo, houve redução. Na safra passada o feijão foi plantado em 3,6 milhões de hectares de lavouras no Brasil. Nesta, em quase 3,9 milhões. Crescimento de 7,5%. Em São Paulo, as lavouras ocupavam 180 mil hectares em 2010. Mas cederam quase 15 mil hectares para outras culturas.

– A gente tem que levar em conta que também em São Paulo, se você for analisar do ponto de vista econômico, as terras agricultáveis são caras e o produtor vai no que é certo. Na primeira safra nós tivemos o crescimento de área na região Sul, significativo, uma safra razoável. Houve um crescimento da produção, porém nós tivemos problemas de qualidade que afetaram os preços – explica a analista de mercado Sandra Hetzel.

A analista observa ainda que, mesmo com diminuição da área de plantio em algumas áreas, como em SP, que é um dos grandes produtores do país, o volume não caiu. Pelo contrário a produção no Estado foi até 8% maior. O que acontece é que a produtividade melhorou no país inteiro.

– O produtor está muito mais atento às novas tecnologias. A pesquisa evoluiu muito com novas variedades. Isto tem ajudado muito o feijão – afirma Sandra.

Pelo levantamento da Conab o Brasil deve colher este ano 3,7 milhões de toneladas de feijão, 12% a mais do que na safra passada.

Fonte: Canal Rural

Feijão: conjunto de medidas para boa produtividade

Tratamento de sementes e reguladores de crescimento são algumas práticas necessárias para alcançar 80 sacas

Para alcançar uma boa produtividade na cultura do feijão, o produtor rural deve pensar em um conjunto de medidas que, aliadas uma à outra, promovem o crescimento ideal da planta e características desejáveis para se alcançar bons resultados. O manejo ambiental e fisiológico para alcançar uma produtividade média de 80 sacas de feijão é um dos temas abordados no 2º GVS Irriga, no dia 6 de agosto, no GVS Centro de Pesquisa e Tecnologia Agrícola.

Segundo Diogo Luís da Roza, engenheiro agrônomo e pesquisador o GVS Centro de Pesquisa e Tecnologia Agrícola, o feijão é uma planta que possui duas fases muitos distintas. Uma delas é a fase vegetativa, que vai desde a emergência até os botões florais. Posteriormente, vem a fase reprodutiva, desde o surgimento dos botões florais até o momento da colheita.

A temperatura ideal para a cultura do feijão é de 21°C a 29°C. Além disso, a cultura não tolera estresses hídricos. A partir da fase de emergência do feijão, temperaturas abaixo de 15ºC e uma umidade adequada, por exemplo, podem favorecer o aumento da taxa de fungos no solo, sobretudo dos gêneros fusarium e rhizoctonia. Caso a condição seja favorável, deve-se tomar medidas que promovam o rápido estabelecimento da cultura, como um plantio mais uniforme, a preferência por sementes livres de patógenos com uniformidade de tamanho e uma profundidade ideal — afirma o engenheiro.

Ele explica que o tratamento de sementes, por exemplo, deve ser escolhido de acordo com o histórico de doenças e pragas que podem haver no solo. No entanto, proporcionar um bom estande é apenas uma etapa do processo.

A produtividade é fruto de vários cuidados. Outro aspecto interessante a ser observado é inerente ao crescimento vegetativo excessivo que pode ocorrer no feijão, sobretudo em solos com elevada matéria orgânica e grande disponibilidade de nitrogênio. Isso faz com que o feijão alongue seu ciclo vegetativo, aumentando a taxa de retenção foliar e acarretando perdas na produtividade — explica.

Para isso, Roza diz que o produtor pode-se lançar mão de alguns produtos, como reguladores de crescimento e alguns fungicidas que proporcionam uma redução nesse crescimento vegetativo e o equilíbrio entre o crescimento da parte aérea e o sistema radicular.

Também nessa fase inicial, é interessante a utilização de produtos que possam induzir de alguma forma a resistência natural das plantas, como os fosfitos e algumas estrobilurinas. Nessa etapa, também é recomendada a utilização de alguns produtos a base de fósforo, como o map purificado — orienta ele.

O engenheiro agrônomo conta que a planta do feijão produz uma quantidade muito maior de flores do que consegue suportar. Portanto, a queda de flores pode variar de 40% a 75%, de acordo com as condições climáticas. Nesse caso, o produtor deve proporcionar condições para o feijão reter a maior quantidade de flores possível, além de cuidados com pragas que causam ataques direto nas flores, como as vaquinhas.

Portanto, quando se fala em produtividade do feijão, não podemos pensar em medidas isoladas, mas sim em todo um processo que vai desde a cultura anterior até todos os processos mencionados — afirma ele.

Para mais informações, basta entrar em contato com o evento através do número (61) 3601-3070.

Fonte: Portal Dia de Campo

Feijão: mosca branca pode afetar 100% da produção

Cultura do feijão exige cuidados, como manejo integrado de praga, observação de níveis de controle e amostragem

A principal praga do feijão é a mosca branca, muito importante por transmitir o vírus do mosaico dourado. Mas existem ainda outras pragas que exigem atenção dos produtores rurais, como os percevejos, que podem causar danos diretos aos grãos, diminuindo seu tamanho e, consequentemente, a qualidade. As vaquinhas, o elasmo, a lagarta rosca e o ácaro branco também causam prejuízos assim como diversas outras pragas que ocorrem esporadicamente.

Segundo Eliane Quintela, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, para prevenir, o mais importante é fazer um manejo integrado de pragas, observando níveis de controle para cada uma delas e realizar amostragem.

— O produtor deve observar algumas pragas que estejam causando danos no campo. Para cada praga, já existe um nível de controle estabelecido. Além disso, quando deixa a praga no campo, o produtor tem os inimigos naturais. Então, não é interessante deixar a lavoura limpa e sim observar através de uma amostragem se ela atingiu o nível de controle — afirma a pesquisadora.

Quando o nível de controle é atingido, Eliane diz que é hora de recorrer ao controle químico ou biológico. Para isso, existem alguns inimigos naturais, até mesmo doenças de inseto que os produtores rurais podem adotar no campo. De acordo com ela, todos esses produtos estão registrados no Agrofit do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

— Já os danos causados variam de acordo com a espécie. A mosca branca, por exemplo, transmite uma virose que faz com que o feijão cresça menos e produza menos vagem. As broquinhas se alimentam das folhas e causam desfolha, diminuindo a área de fotossíntese e reduzindo a produção da planta. Já os percevejos, se alimentam direto dos grãos, reduzindo seu tamanho, deixando-os manchados e transmitindo doença — conta ela.

No caso do ataque de mosca branca, a pesquisadora explica que quanto mais cedo ela transmitir a virose, maior é o dano que causará à plantação, podendo chegar a 100% de redução da produção. Já com outros insetos, o dano é menor.

— Os danos provocados por pragas que causam desfolha dependem muito da fase na qual a planta é atacada. Além disso, o feijão consegue tolerar uma desfolha grande. Então, na fase de crescimento vegetativo, o produtor pode ter até 30% sem causar nenhum dano. Já na formação de vagem e enchimento de grãos, até 15% — afirma.

Em relação aos percevejos, Eliane conta que a planta tolera até dois deles por metro quadrado. Segundo ela, o dano feito por essa praga é direto no grão, diminuindo apenas seu peso. Portanto, o estrago não é tão grande.

Eliane diz ainda que a Embrapa Arroz e Feijão conta com diversas publicações no site http://www.cnpaf.embrapa.br que apresentam fotos, sintomas, danos que as pragas causam, além de instruções sobre como manejá-las na lavoura.

Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Arroz e Feijão através do número (62) 3533-2110.

Fonte: Portal Dia de Campo

GO: experimento de feijão em Porangatu pode atender FAO sobre secas

Visita de representantes da Emater, Embrapa e CIAT ao Experimento de feijão em Porangatu. Divulgação / Emater-GO

Os experimentos que a Emater Goiás desenvolve em Porangatu, norte de Goiás, em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão sobre variedades de feijão comum resistentes à seca podem preencher as expectativas da FAO, organismo da ONU para a Agricultura e Abastecimento. A instituição com sede em Roma mostra-se preocupada com as contínuas secas no Chifre da África e as suas consequências econômicas, sociais e humanitárias. Mais de dez milhões de pessoas, praticamente o dobro da população de Goiás, são vítimas da desnutrição naquela região africana, sobretudo a Somália.

O gerente de Pesquisa Agropecuária da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária do Estado de Goiás (Emater), Vagner Alves da Silva, acompanhou esta semana um grupo de pesquisadores da instituição, entre eles Steve Beebe, coordenador do Programa de Melhoramento de Feijão do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), de Cali, Colômbia, à Estação Experimental da Emater em Porangatu. Ele pode conhecer os ensaios de biofortificação e tolerância à seca.

A expectativa da produção nesses experimentos é que a produção de feijão seja de 50 sacas de 60 quilos por hectare. A ideia, segundo Vagner Alves da Silva, é que “se busque variedades adaptadas ás condições de baixa disponibilidade de água”. Muito cauteloso ao discorrer sobre o tema, o cientista demonstra sua preocupação com a crescente carência dos recursos hídricos em todo o planeta. É importante, desta forma, que se produzam alimentos em condições ambientais favoráveis. Entre eles, o feijão, de grande consumo no mercado mundial e que é um produto rico em zinco e ferro. O feijão costuma fazer dobradinha com o arroz, fonte rica em carboidratos, proteínas, sal mineral, vitaminas e fibras.

Nessa perspectiva futura, o pesquisador goiano entende que é importante a busca de soluções. O gerente de pesquisa agropecuária da Emater entende que o resultado de uma pesquisa pode demandar cinco ou até dez anos. Para antecipar a gravidade do quadro, a Emater firmou uma parceria com a Embrapa Arroz e Feijão, sediada em Goiânia, e que hoje já tem a ressonância internacional, através do CIAT. O pesquisador não tem ainda a ideia de quando o produto pesquisado em Porangatu irá para o mercado de consumo.

“Há sete anos estamos trabalhando nesse processo e as perspectivas são promissoras, porque as variedades se comportam bem nos experimentos”, ressalta, observando que os testes vão crescendo. A sequência natural é que depois de concluídos os parâmetros de produtividade das novas linhagens nos processos de cruzamentos, as novas variedades sejam lançadas com segurança no mercado.

Fonte: Emater-GO

Novo feijão resistente à antracnose

Variedade é mais produtiva, apresenta resistência horizontal à diversas pragas do feijoeiro e melhor qualidade de grãos, principalmente na hora do cozimento

A variedade de feijão IAC Formoso está chegando ao mercado e conta com características que agradam tanto o mercado consumidor, como os próprios produtores. Segundo Sérgio Augusto Carbonell, melhorista de feijão e diretor do Centro de Pesquisa de Grãos e Fibras do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), além de mais produtivo, o feijão apresenta resistência à praga antracnose e melhor qualidade na hora do cozimento. A nova cultivar está sendo apresentada na Agrishow 2011 que está acontecendo em Ribeirão Preto (SP) até sexta-feira, 6 de maio.

As principais características de um bom feijão estão relacionadas à resistência da planta a várias enfermidades, principalmente enfermidades de solo, como Fusarium solani e Fusarium oxysporum, além de outras características essenciais de uma cultivar de feijão, ou seja, a alta qualidade de grão que um feijão deve ter. Esses grãos devem ter alto teor de proteínas, devem cozinhar rápido, devem ter caldo claro, não podem formar casca após o cozimento e devem apresentar uma taxa de expansão volumétrica, ou seja, o rendimento de panela — explica.

De acordo com o melhorista, os grãos devem apresentar características vantajosas para o produtor, ou seja, a resistência de planta, que promove diminuição de aplicação de insumos na lavoura de até 30%, e a alta produtividade de grãos, essenciais à qualquer cultivar de feijoeiro.

Hoje, o IAC Formoso é resistente à uma das principais pragas do feijoeiro: a antracnose. Além disso, ele tem resistência moderada a outras doenças, o que é chamado de resistência horizontal. Já em relação à adaptação, ele é recomendado para toda a região Sudeste do país, além da região Sul e Nordeste — afirma Carbonell.

Já a taxa de produtividade depende muito da tecnologia usada por cada agricultor, mas, como diz o melhorista, gira em torno de 2.000 a 4.000 quilos por hectare. Ele explica que, se o produtor utiliza uma tecnologia mais diversificada, com uso de insumos, água e irrigação, a produtividade pode chegar até esses 4.000 quilos. Já se o agricultor produz em sequeiros e não faz uso de tantas aplicações de insumos na lavoura, seguramente consegue entre 1.500 e 2.000 quilos, ou seja, muito acima da média nacional, que gira em torno de 800 a 1.000 quilos por hectare.

A essência do melhoramento genético do IAC é baseada na produtividade, resistência a doenças e qualidade de grãos. Nós prezamos muito pela qualidade de grãos para que o consumidor tenha um produto de alta qualidade — conclui.

Para mais informações sobre a cultivar, basta entrar em contato com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Grãos e Fibras do IAC através do número (19) 3202-1754.

Fonte: Portal Dia de Campo